Sempre gostei de Jorge Amado, li pela primeira vez um livro seu quando tinha uns 14 anos. Um macumbeiro amigo da minha mãe me emprestou os 3 volumes de "Os Subterrâneos da Liberdade". Um início estranho reconheço. Acho que o Luiz era comunista além de macumbeiro,rs. Mas, foi interessante conhecer primeiro a prosa ligada ao partidão do que a prosa ligada aos temas habituais de Jorge Amado: a Bahia, seu povo, seus hábitos. Dos livros de Jorge os que mais gosto são: Tenda dos Milagres, Farda, Fardão, Camisola de Dormir, A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água, e Dona Flor e seus Dois Maridos. Li os demais, mas, os que sempre releio são esses.
Um dia, sem querer, peguei numa prateleira da livraria o livro "Anarquistas Graças a Deus" de uma desconhecida Zélia Gattai. Li as orelhas, com apresentação de Jorge, sem me ligar que eles eram casados. Li esse e os seguintes, sempre com interesse.
Zélia tinha a prosa gostosa, fácil, ligeira, um livro pra ler de uma sentada. O primeiro me trouxe a minha amada São Paulo do início do século passado. Uma cidade que não mudou tanto assim. Em um trecho do livro Zélia conta que a velocidade máxima da época era 20 Km/h. Não mudou tanto, os congestionamentos não permitem que andemos em velocidade superior a isso.
Os demais livros me trouxeram o dia a dia, a infância e o modo de ser de um escritor que sempre admirei. O carinho, o amor, o companheirismo transbordavam de seus livros.
Sua prosa fácil fazia que com que ela se tornasse alguém querida mesmo de quem não a conhecida pessoalmente.
Uma pessoa solar, isso o que era Zélia Gattai.
Vou sentir saudades, mesmo sem nunca ter tido contacto com ela.