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E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
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Adoro esse poema, sempre gostei. Acho que ele fala de uma realidade incrível: a da nossa falta de humildade.
Muitas vezes já me senti como o autor do poema.
Uma amiga, a Fessôra, escreveu que a verdade é filha do tempo.
Nem sempre isso é verdade, mas, em alguns casos a verdade acaba vindo a tona.
É o que está acontecendo agora.
Os mal entendidos das semanas anteriores parecem estar se dissipando.
Ainda bem. Detesto mal entendidos. Detesto a sensação de que estou numa conversa de surdos.
Agora é dar tempo ao tempo. E ter paciência.
Claudio Lembo
Grupos sociais ensaiam movimentos de contestação. Exercitam a democracia. Ótimo. As instituições se encontram aptas a conviver com situações de contrariedade. Oportunas. Mais ainda. Necessárias.
As pautas de movimentos críticos, contudo, devem merecer cuidadosa composição. Caso contrário, poderão assemelhar-se a reacionarismo. Ou seja, conflito com a normalidade institucional.
Exatamente isto. Em poucas ocasiões, conviveu-se com o pleno funcionamento dos poderes da República. Operam, dentro de suas competências, com plena funcionalidade.
O Executivo gira, apesar de sufocado pelo excesso de oratório de seu titular. Permanece dentro de seus limites de atuação. Não foge às regras constitucionais.
O Legislativo peca. Não por omissão de seus deveres. Sim pela presença de pessoas duvidosas. Aqui, a culpa não é da instituição. As pessoas não podem ser confundidas com as entidades.
O Judiciário mostra-se moroso. Desaparelhado de equipamentos. Legislação processual, repleta de recursos, sufoca sua atividade. Boa arma para guerrilheiros forenses.
Críticas são oportunas. Mais que isto, importantes. Um olhar mais denso capta nova realidade. Depois de longos períodos autoritários, vive-se em liberdade.
A liberdade é a diferença. Nos períodos autoritários, tão a gosto de minorias encasteladas, as mazelas existem, mas são encobertas. Poucos as conhecem. Levam vantagens os informados.
Na democracia, onde reina a liberdade, o conhecimento é pleno. Nada fica encoberto. Todos passam a conhecer atos e atitudes das personalidades públicas.
Esta é a normalidade democrática. Exige da cidadania tempera de aço. Os frágeis mostram-se atônitos. Os autênticos cidadãos preservam os acontecimentos em suas mentes. Na hora do voto, ponderam e realizam a melhor escolha.
A cidadania se encontra aturdida, no momento. Na História recente, por longo tempo, a sociedade tomou direção única. Apenas um partido político apresentava-se como detentor da ética e dos bons costumes.
Pura utopia. A pior das utopias: aquela em que predomina o elemento ético combinado com o religioso. Nunca deu certo. Não seria nos trópicos que a experiência teria êxito. Apodreceu mais depressa.
A constatação é simples. Basta ver o recebimento de denúncias contra quarenta personagens. Um dia pregaram nas praças e nas ruas fantasiados de arautos da dignidade pública.
Frustaram esperanças. Em contrapartida, permitiram demonstrar que as instituições funcionam. Azar deles. Sorte da cidadania. Alterou-se o funcionamento das instituições. Para melhor. Chegou-se a bom caminho.
Neste cenário, algumas pessoas mostram-se desconfortáveis. Não querem esperar. Gostariam de trilhar por atalhos. Esquecem que na democracia só existe uma vereda, a das instituições.
Essas mostram-se operantes e sólidas. Resta à cidadania, por meio de instrumentos legítimos, alcançar os múltiplos anseios da sociedade complexa. Acompanhar, atuar e aguardar as próximas eleições.
A democracia é exigente. Impõe limites de comportamento. Nela, a legalidade, a impessoalidade, moralidade e a publicidade apresentam-se como alicerces constitucionais da atividade pública. Basta preservá-los.
Quando estes princípios sofrem marginalização, além dos movimentos sociais, próprios de explosões de momento, colocam-se à disposição da cidadania instrumentos eficazes. A esquecida ação popular, tão útil para colher o mau administrador. Ou a ação civil pública demonstra-se eficiente para apontar o inidôneo.
Se há cansaço no momento, possui conotação benigna. É gerado pela normalidade institucional. Em nossa História, a normalidade democrática jamais agradou pequenas minorias. Essas sempre procuraram atalhos.
É o velho jogo de querer as reformas, mas não promovê-las. Mero jogo de cena sem profundidade. Já ensinou José Honório Rodrigues, em outros tempos. Nada mudou.
Num desdobramento dos acontecimentos recentes da minha vida virtual, estou novamente estressada.
Já disse que fiquei desapontada com a distorção daquilo que eu escrevi. Entretanto, mais desapontada fiquei com a atitude de uma pessoa que eu pensava ser meu amigo.
Uma vez, em ocasião semelhante, essa pessoa agiu da mesma forma. Como eu o conhecia pouco naquela ocasião, dei a ele o benefício da dúvida. Entretanto, pela segunda vez eu vejo essa pessoa agir de forma dúbia, e maquiavélica. E, ainda por cima atribuir a mim atitudes dele.
Não sei o que o move, não pode ser sede de poder, pois não existe disputa de poder na comunidade em questão. Ali o poder é advindo da união do grupo e não do indivíduo. A dona tem o poder "material" de manter a comunidade ou não, de apertar ou não o botão de apagar a comunidade, mas é só. Do ponto de vista material não há poder algum ligado a ela. Ser seu dono não dá dinheiro, nem prestigio, nem confere notoriedade. Então seu poder é apenas o advindo da união de seus membros. E, a amizade entre seus membros pode existir independentemente da comunidade. Se for real sobreviverá.
E, espero que seja real em relação à maioria.