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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2007

29.06.07

Filtro Solar

Senhoras e senhores,
Usem filtro solar.
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: “usem filtro solar”. Os benefícios a longo prazo, do uso do filtro solar, foram cientificamente comprovados.
Os demais conselhos que dou, baseiam-se unicamente em minha própria experiência.


Eis aqui um conselho:
Desfrute do poder e da beleza de sua juventude. Oh! Esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza da sua juventude quando já tiverem desaparecido. Mas, acredite em mim. Dentro de 20 anos você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades fabulosas se abriram para você.
Você não é tão gordo como imagina.
Você não é tão magro como imagina.
Não se preocupe com o futuro, ou se preocupe se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete.
É quase certo que os problemas que realmente tem importância na sua vida são aqueles que nunca passaram pela sua cabeça, como aqueles que tomam conta de você às 4 da tarde de uma terça-feira ociosa.
Todos os dias faça alguma coisa assustadora.
Cante.
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.
Relaxe.
Não perca tempo com a inveja.
Algumas vezes você ganha, algumas vezes perde.
A corrida é longa e no final você tem de contar só com você.
Lembre dos elogios e esqueça os insultos. Se conseguir fazer isso, me diga como.
Guarde suas cartas de amor. Jogue fora os velhos extratos bancários.
Estique-se.
Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida. Algumas das pessoas mais interessantes que conheço não tinham aos 22 anos nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não.
Talvez você tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos 40, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casado.
O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais.
Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder. Não tenha medo dele ou do que outras pessoas pensam dele. Ele é seu maior instrumento.
Dance, mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as instruções, mesmo que você não as siga.
Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia.
Saiba entender seus pais. Você nunca sabe a falta que vai sentir deles.
Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu maior vínculo com seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente não o deixarão na mão.
Entenda que amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciososo, que você tem de guardar com carinho. Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e da vida, porque quanto mais você envelhece tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.


More em Nova York mas, mude antes de se tornar uma pessoa muito dura.
More no norte da Califórnia mas, mude antes de se tornar mole demais.
Viaje.
Aceite certas verdades eternas:
• Os preços vão subir;
• Os políticos são todos mulherengos;
• Você também vai envelhecer.
E, quando envelhecer, vai fantasiar que quando era jovem os preços eram acessíveis, os políticos eram nobres de alma e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite as pessoas mais velhas.
Não espere apoio de ninguém.
Talvez você tenha uma aposentadoria. Talvez tenha um cônjuge rico. Mas, você nunca sabe quando um ou outro vão desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo. Senão quando tiver 40 anos vai ficar com aparência de 85.
Tenha cuidado com as pessoas que dão conselhos, mas, seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale.
Mas, acredite em mim quando lhe falo do filtro solar.

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Esse é o texto completo do discurso feito por um professor a seus alunos em cerimônia de formatura nos EUA.  Ficou famoso no Brasil em versão menor, na forma de poesia, declamada por Pedro Bial e musicada pelo Frejat.

Aqui eu apresento a tradução do texto integral.

E aqui o vídeo com a tradução do texto:

http://www.youtube.com/watch?v=mV9j3SsoTEs


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  • Postado em 10:22:21

28.06.07

A lista de Irena

Enfermeira é homenageada por ter
salvo 2.500 judeus durante o Holocausto


Hoje com 97 anos, esta antiga enfermeira, Irena Sendlerowa, que vive atualmente em um lar da terceira idade na Polônia, salvou duas vezes mais judeus dos horrores do Holocausto do que Oskar Schindler, mesmo sem o aparelho industrial ou o poder financeiro do protagonista do premiado filme. Graças a ela, cerca de 2500 crianças foram libertadas do Gueto de Varsóvia e de uma morte quase certa nos campos de concentração. Irena tirava de lá bebês e crianças dentro de sacos, através de esgotos e até mesmo escondidos debaixo de macas em ambulâncias. E, com identidades falsas, eles eram entregues a famílias adotivas não-judias, que as ensinavam a falar polaco e a balbuciar orações cristãs para poderem enganar os oficiais da Gestapo. Indicada para o “Prêmio Nobel da Paz”, Irena diz que não foi uma heroína, mas as centenas de crianças judias que tiveram a sorte de crescer graças a ela não concordam. “Para mim, as suas ações foram de puro heroísmo. Sei que ela não gosta e diz modestamente que se limitava a fazer o que qualquer ser humano teria feito, mas não há outra palavra para isso”, diz Elzbieta Ficowska, uma das crianças salvas.
Com a guerra a alastrar pela Europa, Elzbieta e quase 400.000 outros judeus polacos foram levados para uma área do tamanho do Central Park de New York. Era novembro de 1940, e assim nascia o Gueto de Varsóvia. Os pais passaram os meses seguintes vendo os filhos brincando por detrás de muros com mais de 3 metros de altura e com cacos de vidros no seu topo, enquanto eles próprios tentavam sobreviver com rações mínimas e proteger as famílias dos surtos de febre tifóide e tuberculose que grassavam naqueles espaços superpovoados.
“Cada criança salva com a minha ajuda e a
de todos os admiráveis mensageiros clandestinos
que já não vivem justificam a minha existência
na Terra e não qualquer título de glória”

A pena de morte para quem ajudasse judeus na Polônia ocupada pelos nazistas não bastou para deter a enfermeira, cuja profissão lhe permitia a importantíssima possibilidade de entrar no gueto. Católica, Irena decidiu mostrar a sua solidariedade com o povo judeu usando a faixa obrigatória com a estrela de David quando entrava no gueto. “Fui educada acreditando que uma pessoa deve ser ajudada, independentemente da religião ou da nacionalidade”. Em pleno turbilhão da guerra, Irena teve presença de espírito para guardar registros minuciosos dos que salvava. Tudo quase foi por água abaixo quando, em outubro de 1943, um pelotão nazista chegou certa madrugada, revirou toda a casa e levou Irena para o quartel da Gestapo. Foi torturada, na tentativa de lhe arrancarem informações. Partiram-lhe ossos das pernas e dos pés, mas a sua boca não se abriu. Acabou sobrevivendo graças à interferência de seus colegas e a um punhado de dólares. “Indescritível o que se sente a caminho da própria execução para só no derradeiro momento ver que se foi resgatado”. No dia seguinte, as autoridades alemãs, ainda ignorantes da sua fuga, afixavam cartazes por toda Varsóvia anunciando que ela tinha sido fuzilada.

Depois disto, Irena passou a levar uma vida clandestina, com identidades falsas, escondida das vistas oficiais e sem poder voltar para casa. Quando a mãe morreu, pouco depois dela escapar ao pelotão de fuzilamento, apareceram agentes da Gestapo no funeral interrogando os parentes sobre a filha da morta. Há pouco tempo, o parlamento polonês homenageou Irena com a entrega da "Medalha Ordem do Sorriso", qualificando-a como “heroína nacional” e apoiou a sua indicação para o “Prêmio Nobel da Paz”. Muito fraca para assistir à cerimônia, Irena enviou uma carta muito simples. “Cada criança salva com a minha ajuda e a de todos os admiráveis mensageiros clandestinos que já não vivem justificam a minha existência na Terra e não qualquer título de glória”.


Publicado no jornal britânico The Independent.
Tradução: Álvaro Monjardino.

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  • Postado em 12:31:30

27.06.07

Que país é este?

Quando leio algumas notícias nos jornais, vejo certas matérias na tv, fico me perguntando que espécie de país é o Brasil.

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Há algumas semanas fomos informados que o presidente do Senado teve um caso extra-conjugal com uma jornalista, que desse relacionamento nasceu uma filha, reconhecida pelo Senador. Nada de mais até aí. Porém ficamos sabendo também que o pagamento da pensão da criança é em valor tal que supostamente não provém de fonte declarada pelo parlamentar. Documentos contestados, defesa falha, apuração confusa, situação constrangedora. Além de tudo, um processo envolvendo menores em que o advogado da própria menor quebra o sigilo judicial legal imposto ao caso.

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A ministra do Turismo ao ser perguntada como deveriam os idosos reagir aos atrasos nos aeroportos brasileiros responde de forma irreverente: "Relaxa e goza, porque depois a viagem vai ser tão boa, vão se divertir tanto, que será só um contratempo."

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Quatro jovens espancam e assaltam uma doméstica que estava no ponto de ônibus no Rio de Janeiro. "Pensamos que era uma prostituta" foi a justificativa. Será que entendi direito? Eles acham que espancar e roubar uma prostituta é certo? E as declarações do pai de um dos rapazes: "São crianças, não deviam ficar presos com bandidos", "Mulher é mais sensivel, fica roxa com qualquer pacadinha" "Há crimes piores".

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Um turista francês vem a São Paulo participar da Parada Gay. Depois vai a um restaurante no bairro dos Jardins, na saída é cercado e esfaqueado sem que esboce qualquer reação.

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Num bar dos Jardins,  um garçon homossexual toma café com alguns amigos, numa mesa da calçada. Um carro para, descem alguns rapazes, e simplesmente matam o garçon.

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Numa esquina do Morumbi, uma família para o carro no farol. Dois assaltantes abordam o carro. A mulher tenta sair, o marido acelera o carro. Os assaltantes atiram e matam os dois antes de fugirem. No banco de trás o filho do casal de 7 anos de idade, tudo vê.

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Me lembro de outros casos:

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Depois de comemorar o Dia do Índio, um pataxó dorme num ponto de ônibus em Brasília. Quatro garotos o vêem. Acham que é um mendigo. Despejam gasolina sobre o homem e o incendeiam.

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Um casal de adolescentes vai acampar num fim de semana. Um bando de garotos os assalta, tortura e mata o rapaz. Estupra, tortura e mata a moça. O autor da chacina tem 16 anos. Foi diagnosticado como um psicopata perigoso e irrecuperável, sem condições de viver em sociedade. Entretanto, era menor ao cometer o crime e deverá ser solto em breve.

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Está na hora da sociedade rever seus valores, suas leis, olhar para dentro de si mesma e perguntar: em que eu acredito? O que valorizo? Por quê não exijo mudanças das autoridades?

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Que pais é este? Por que aceitamos calados tantos descalabros? Por que não reagimos?

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Até agora não sei o que mais me deixa pasma se os crimes absurdos cometidos ou a passividade da sociedade.

 

 http://www.youtube.com/watch?v=dsh4heG1k1o

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  • Postado em 17:47:26

21.06.07

QUERO O BRASIL DE VOLTA!

O artigo abaixo, e a entrevista do post anterior, foram publicados recentemente na imprensa paulista. O artigo foi publicado no jornal Folha de São Paulo do último domingo, e a entrevista foi publicada ontem (20/6/2007) no jornal O Estado de São Paulo.

Tanto a conclamação feita pelo Senador Pedro Simon, como o que ele diz em sua entrevista, refletem boa parte do que penso, e do que pensam muitas pessoas com quem convivo.

Aparentemente nós brasileiros levamos muito a sério a imagem de sermos um povo pacífico e trabalhador. Sim, nós somos trabalhadores. De modo geral o brasileiro trabalha, e muito. E sim, nós não somos um povo que goste de guerra. Amamos a paz, a cordialidade.

Entretanto, o que tenho visto é que estamos confundindo ser pacífico com ser submisso.

Está na hora de reagirmos. De forma pacífica mas indignada.

Para a maioria dos brasileiros o que acontece no Congresso Nacional é muito diferente do que acontece na vida real. Aparentemente o Congresso é uma ilha da fantasia, ou coisa que o valha.

Até o direito a elegermos nossos representantes estão querendo nos tirar. E ninguém fala nada.

O lema da nossa bandeira deveria ser mudado. De: ORDEM E PROGRESSO para DESORDEM E RETROCESSO.

Chega! Basta!

Quero o Brasil de volta!

 

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  • Postado em 16:53:14

REAJE BRASIL!

PEDRO SIMON
Não creio que as mudanças venham de dentro para fora. Daí a conclamação. Que o povo brasileiro ocupe as ruas e exija mudanças de atitude
Folha de São Paulo, Domingo, 17/06/2007
Coluna Tendências e Debates

EU TIVE o cuidado, nesses dias, de reler os meus pronunciamentos, nos últimos 15 anos, sobre corrupção e desvios de recursos públicos. Fiquei, primeiramente, impressionado com a quantidade. Mas o que mais me impressionou nessa minha volta a um passado não tão recente é a atualidade de todos os meus discursos. Eu poderia escolher, aleatoriamente, qualquer um deles e repeti-lo, hoje. Mudaria o nome da operação da Polícia Federal ou o da CPI. O dos atores envolvidos, nem sempre.

Imagine a implantação, como eu defendi, já em 1995, da chamada CPI dos Corruptores. Na verdade, ela se confundia com uma CPI das Empreiteiras, tão reclamada agora. A comissão morreu no nascedouro, pela falta de vontade dos partidos e dos líderes partidários de investigar os desvios que, já então, povoavam a imprensa.

Se ela se concretizasse, não haveria hoje, quem sabe, necessidade da Operação Navalha, nem da Xeque-Mate, nem das outras operações e CPIs anteriores, como a dos Sanguessugas, a das Ambulâncias, a do Mensalão, a dos Correios, a Furacão, a Gafanhoto, a Matusalém, a Anaconda e tantas outras, com suas respectivas e criativas nomenclaturas.

Não sei quantas operações ainda virão. Nem como se chamarão. Nem quantas CPIs ainda se instalarão. Nem como se comportarão. Espero que não se esgote a criatividade da PF. Nem as minhas esperanças.

Não tenho nenhuma expectativa de que as mudanças que a população tanto reclama, em termos de valores e referências, venha a ser concretizada de dentro para fora. As últimas pesquisas de opinião pública dão conta de que essa mesma população também não acredita mais nas suas instituições públicas. É que nunca, em nenhum momento da nossa história política, os três Poderes da República estiveram tão contaminados pela corrupção. Há um poder paralelo, que se entranha no Congresso, no Executivo e no Judiciário, que faz com que as instituições públicas percam a legitimidade diante da sociedade civil.

É por isso que, apesar das nossas melhores intenções, não há que esperar, a partir do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, pelo menos no curto prazo, as mudanças políticas, obviamente no espaço democrático, que a sociedade tanto reclama.

Ocorre que a realidade brasileira, hoje, tamanha a barbárie, não pode esperar mudanças além do curto prazo. E, aí, há que ter uma imensa mobilização de fora para dentro.

É preciso que o povo seja, de fato, senhor da história. Sujeito, e não objeto. É preciso que a sociedade brasileira volte a exercitar a força das ruas.
Um movimento, que poderia orientar-se sob o lema "Reage, Brasil". Ora, um país com tantas e tamanhas riquezas como o nosso não pode permanecer mergulhado na barbárie. Não pode conviver com a corrupção, com a miséria e a pobreza, com a violência, com o analfabetismo e com tão precárias condições de vida.

Por isso, a conclamação. Que a população brasileira ocupe, de novo, de maneira pacífica e democrática, as ruas e exija mudanças de atitude dos gestores da coisa pública, em todos os níveis. Que reclame por uma reforma política que legitime, verdadeiramente, as suas instituições democráticas.
Que imponha o término da corrupção. Que obrigue o fim da impunidade, principalmente para quem se locupleta com o sagrado dinheiro público. Que reconstrua um Estado em novas bases, verdadeiramente voltado para a democracia, a soberania e a cidadania. E que as leis busquem, de fato, o interesse coletivo, e não a sanha perversa de alguns. E que todos sejam iguais perante a lei, como determina a nossa Constituição Federal.

Ainda está presente na nossa memória o movimento das Diretas-Já, que marcou um dos momentos mais sublimes da nossa história e deu suporte para a abertura política e o resgate das liberdades democráticas.

Quem não se lembra dos jovens caras-pintadas, movimento que também ocupou as ruas de todo o país na luta contra a corrupção? Quem não se lembra de tantos outros momentos em que a sociedade ditou, verdadeiramente, os melhores rumos para a construção da história do país?

É hora de a sociedade organizada reagir. A partir dos movimentos das igrejas, das escolas, das famílias, dos sindicatos, das organizações de classe. Reagir, em todos os sentidos da palavra e da ação: de demonstrar reação, de protestar, de se opor, de lutar, de resistir. De agir, de novo.

A decência vai aonde o povo está.
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PEDRO SIMON , 77, advogado, é senador da República pelo PMDB-RS. Foi líder do governo no Senado Federal (governo Itamar Franco), governador do Rio Grande do Sul (1987-91) e ministro da Agricultura (governo Sarney).

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